há um espaço no coração que nunca será preenchido e eu continuo esperando no mesmo lugar. eu escrevi. precisamente, no seu braço: há um espaço no coração que nunca será preenchido. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. eu tenho vergonha foi a primeira coisa que você me falou, ao menos, foi a primeira que me fez gostar de acreditar que a falta de gesto não era falta de jeito não era ausência ou vazio. era um espaço. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. segundo Bukowski o amor acontece a cada dez anos, eu te falei, e você acaba de chegar aos dez. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. eu poderia te entregar o livro vermelho rabiscado e grafado junto com todas as minhas palavras esmagadas nas entrelinhas, mas você me disse que não sabe ser vulnerável e eu não sei não ser. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. eu já sabia que era o mesmo pássaro azul de outros tempos. eu sabia por que alguns a gente reconhece, outros a gente só não vê. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. eu achei ser só medo. você me disse que as coisas vão para onde a gente quer que vá e eu também achei que sabia o que você estava falando: a baleia era eu cantando meu próprio grito, em silêncio, pra não te assustar. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. caramba, eu só queria ser a garota que se incomoda mas não sangra por que não sabe. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. até os meus vinte anos eu gostava de achar que poderia salvar alguém, mas aos seus 26 você nunca quis boiar. como começa? você perguntou pra mim que não entendo sobre comportamentos que surgem de qualquer lugar que não seja dentro. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. você escorregava suas mãos da minha (eu conheço bem esse lugar). eu disse que poderia soltar na hora que quisesse. don't let go of my hand, eu deveria ter dito. eu sou de choro fácil, mas eu prefiro o canal ligando o osso que eu não sei o nome e que atravessa o dorso e move a baleia, porque um canal é sempre, sempre atravessado.
0 comentários