As paredes rosadas do meu quarto

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As quatro paredes que me cercam, quase me engolem. Eu não sei se eu gostaria de sair pela porta aos soluços, abrindo e gritando, dizendo que me salvei. Fechar os olhos e esperar: depois, vem a morte, que é tudo o que a gente disse que não era. Só que a vida também é justamente esperar, por isso tanta gente confunde as duas e, tentando viver, ficam sentadas na cama, esperando suas paredes as engolirem.
Afasto o cobertor e já não quero saber. Autofagia. Fadiga de viver e ser, que ao implodir, se encerra no mesmo ponto. Então eu nego as paredes e esqueço o quarto. Eu só existo em mim. Esse corpo estirado, dolorido, sobre esse colchão, nem sequer me pertence. O universo é que sabe dele. Eu reconheço é o meu âmago. Enquanto continuar assim, não morrerei de fome, pois sobreviverei dos meus interiores. Sorte a minha serem tantos. O que escreve agora, grita e empurra as paredes.
Não quero um combate sólido, eu não tenho tamanho e nem força. Eu imploro. Preciso me abster dessa outra luta que já está perdida, pois eu não irei merecer todo o esforço dos meus átomos se não vencer, ao menos, por dentro. São duas batalhas, mas eu só posso vencer uma, então enfrento a guerra para não ter mais de lutar.
Enquanto isso, eu esqueço a mim e o que sou. Deixe-me ganhar e poderei cuidar de mim. Sento e espero. Lembro que a vida é mesmo esperar, até de olhos abertos. Olhos abertos, é isso. A diferença entre a vida e a morte é só o que se olha. Com as vistas arregaladas, vejo e choro uma dor de revolta por dentro, por fora, cintura para baixo, cintura para cima, coração adentro.
Alguém abre a porta e, quando reparo, o quarto parece não ter saído do lugar, mas eu continuo chorando. Talvez seja a minha única chance: essa mão estendida - que tem sorriso, olhos pequenos e cabelos redondos. Tenho tanto medo de vencer que não sei se retribuo o gesto ou se permaneço perdendo dos dois lados. Não sei segurar, mas peço que pegue a minha mão se eu levantar o braço e, o faça assim que eu oferecê-lo, antes que eu desista. Depois, não solte. Ou solte. Peço, mas sem voz, só olhos. Eu ainda não sei o que fazer, mas permaneço olhando para a mão à minha frente e torcendo para que ela continue estendida, até que eu consiga me vencer.

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